GAZETA DE
NOTÍCIAS – 28/8/1912
- De fato, o nosso ator nasceu do dramalhão ou da
revista.
- E o que é pior, salvo uma ou outra peça, de ano
em ano, não faz senão representar tipos estrangeiros, vivendo em “meios” que
lhe eram inteiramente desconhecidos.
- Portanto, é preciso dar tempo ao tempo.
- E pedir aos nossos escritores que tragam para a
cena a nossa alma, a nossa educação, a nossa moral, o conflito das nossas
ambições e das nossas vaidades, finalmente, a nossa vida! Mas que deixem em paz
os modelos franceses, com todo cortejo espetaculoso das suas afamadas
adúlteras!
- O teatro regional está por explorar...
- Do caipira apenas nos mostraram tipos de
asneirentos, esquecendo-se de lhe sondarem as belezas do coração!
- Fizeram dele um títere e não um homem.
- Precisamos do teatro de observação e, portanto de
educação, porque, já o disse Barbey d’Aurevilly: “não há outra educação que
aquela que se recebe das coisas que os nossos olhos observaram.” É desse teatro
que deve sair o ator, na composição perfeita de figura humana!
- Que novidade nos reserva o seu programa?
- Diversas, mais a mais palpitante será a reforma
da “mise-en-scéne”, de que vou fazer uma arte de verdade, seguindo os processos
adotados na Rússia, Alemanha e Inglaterra que, como sabe, são os países onde o
teatro reproduz a vida com a maior naturalidade. Uma transformação completa.
***
E saímos ontem do Municipal convictos que desta vez
mais essa tentativa da fundação do Teatro Nacional, com o critério e o carinho
que está sendo tratada, não só pelo Sr. prefeito, diretor da Escola Dramática e
o empresário da companhia, como também pelos artistas, não pode absolutamente
falhar.
Vai ser, de resto, o início definitivo do nosso
teatro, da nossa arte dramática.
COMMERCIO –
s/d
A companhia nacional (?) subvencionada pela
Prefeitura, que sob a direção de Eduardo Victorino dará uma série de
espetáculos no Teatro Municipal, já se acha quase completamente organizada.
As peças a representar são quatro, todas aprovadas
no último concurso instituído pela Academia de Letras: Não Matarás, de D. Julia Lopes; Canto
sem Palavras, de Roberto Gomes; O
Sacrifício, de Carlos Góes, e Flor
Obscura, de Lima Campos.
A Exposição,
de D. Adelina Lopes, e outras peças mais, também aprovadas pela Academia não
serão representadas.
A peça de estreia, Não Matarás, já entrou em ensaios.
Têm papel na peça de D. Julia Lopes os seguintes
artistas nacionais: João Barbosa,
Antonio Ramos, Ferreira de Souza, Castello Branco, Samuel Rosalvo, Armando
Duval, Lucilia Peres, Maria Falcão, Adelaide Coutinho, Corina Fróes, Julia
Santos, Maria de Oliveira e outros.
Os alunos da Escola Dramática, já atores, serão
aproveitados.
E desse modo já está quase organizada a Companhia
Nacional (?).
Agora uma observaçãozinha ao Sr. Eduardo Victorino:
não vá dar a primazia, em todos os papéis, a Sra. Maria Falcão em prejuízo da
Sra. Lucilia Peres.
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